Não é abandonar a escrita. É abandonar estas teclas frias e este papel sem cheiro do computador. É buscar o caderno e a caneta de verdade, que me fazem ser mais verdade. Até sempre - talvez.
Particle of Love
"Love is life. All, everything that I understand, I understand only because I love. Everything is, everything exists, only because I love. Everything is united by it alone. Love is God, and to die means that I, a particle of love, shall return to the general and eternal source." (Tolstoi)
sábado, 12 de maio de 2012
quarta-feira, 21 de março de 2012
Café sem leite
Tão pequena, andava na rua saltitando. Não que quisesse, mas suas perninhas eram tão curtas, que a cada passo do pai, ela dava dois pulinhos, para acompanhá-lo. Além disso, não se concentrava muito nessa tarefa. Queria, muito mais que chegar à parada de ônibus, absorver tudo o que existia ao seu redor. As árvores, bem maiores que ela e, ainda mais incrível, maiores que seu pai, eram coisas curiosas para a pequena. As moças passando, e ela pensando: quando eu crescer, quero ser assim, assim não, loira, com cabelo grande. E ela pensando, ainda: será que a mamãe era assim? De repente, cai uma manga ao seu lado, e um menino pega a fruta, encarando a bonequinha insistentemente. O pai continua andando, e ela saltitando para acompanhá-lo, olhando para trás, para os olhos daquele pequeno. Mas não há tanto tempo para encarar o passado. Quando percebeu, já estava na parada, e o ônibus já tinha chegado, com o mesmo cobrador de todos os dias, de bigodes longos e sem sorriso, que deixava a menina divertir-se passando por debaixo da roleta. Em casa, no silêncio do quarto cor-de-rosa, a pequena tirava as sapatilhas, deixava de ser a bailarina da caminhada vespertina. Agarrava-se ao retrato da mãe e punha-se a imaginar que tipo de mulher seria. E o pai, espreitando-a pela porta entreaberta pensava consigo: "Será das fortes, bebê. Não há dúvidas."
segunda-feira, 19 de março de 2012
Assim seja.
Que o Senhor veja como sou pequena e frágil. Que o Senhor, por isso, olhe para mim com ternura. Que o Senhor segure minha mão pela escuridão e ilumine os meus passos, um de cada vez. E me ensine esta lição, de andar dando um passo de cada vez. Que o Senhor fale comigo, claramente, através da Sua palavra. Que o Senhor me proteja das pessoas más, e me dê forças para enfrentá-las, quando for preciso. Que o Senhor me encha do Seu Espírito Santo, apesar de mim. Que o Senhor me use na vida dos meus irmãos, os que já são, e os que serão. Que o Senhor me guarde à Sua sombra e me guie ao centro da Sua vontade, hoje e todos os dias desta breve vida. Amém.
sábado, 17 de março de 2012
Mission Trip March 2012
I'm still trying to recover from this last mission trip experience. We got to help some people and, most importantly, talk to them about the good news of Jesus' salvation. That's priceless. I do miss being there, and keep thinking it's true what they say: the best place to be is where God wants us to be. I praise Him for, one more time, showing me He is under control of everything. Every little thing fits perfectly. I did go there thinking about serving Him, but He also spoke so deeply to my heart about things I won't be able to forget. Also, our team was in communion at all times. Some of the people I met last week seem to have been my friends forever. That wouldn't be possible were we not in the same Spirit. The one thought I've been having since I got back is this: "Thank You, Lord. Thank You. Thank You." May I never go back to the shallow end of Christianity.
quinta-feira, 15 de março de 2012
O amor cup-noodles
A primeira coisa que eu aprendi a cozinhar foi nissin miojo. Esquenta a água, joga o macarrãozinho e espera uns três minutinhos pra ficar pronto. Não é gostoso. É normal. A gente come porque precisa, ou porque uma vez no ano dá vontade mesmo, ou porque não tem tempo pra outra coisa. Massa boa mesmo é aquela caseira, feita em casa por quem sabe, ou no Apetito, restaurante italiano tímido (mas premiado) daqui. Com a correria da vida (bendita correria, sempre meu assunto!), as pessoas não se preocupam mais com a qualidade das coisas. Pensam, apenas, no que lhes é necessário, e arranjam um jeito - de preferência sem muito esforço - para conseguir o que querem. Fazem assim, inclusive, quando se trata de amor. Quem quer, hoje em dia, pensar em conversar muito com alguém, paquerar, namorar, construir confiança e depois dividir a vida? Só pensar nesse processo cansa, e nós, a sociedade do aqui e agora, não esperamos. Talvez por isso, as pessoas, sabendo que precisam de afeto, lançam-se às baladas da vida, colocando seu coração - ou seu corpo - a prêmio. Outros, porque não conseguem ficar sós (e este é o pior tipo de medo: não saber ficar só, não enfrentar-se a si), correm atrás de pseudo-namoradinhos, que, juntos por apenas duas ou três semanas gritam pelos facebooks da vida "eu te amo" aos quatro ventos. E todos esses (não há exceção) acabam-se deparando com muitas frustrações na vida. É que o nosso paladar - e também a nossa alma - está preparado para receber o rondelli de espinafre com ricota que demora horas para ficar perfeito, mas acaba recebendo um potinho de cup-noodles. Amor instantâneo é decepção na certa.
sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012
teus caminhos
Nunca tive a disciplina de escrever um diário, aliás, nunca achei que descrever os acontecimentos de um dia minuciosamente me ajudaria a lembrar do que eu senti. Mas sempre escrevi pequenas frases, às vezes até rimas horrorosas - que eu não me esforço para aprender a rimar - que me fizessem reviver as sensações que tive. Funciona muito. Essa semana, revirei uns papéis da minha vida (se não arejarmos essas gavetas de vez em quando, vira tudo mofo, tudo endurece, nunca mais sai) e admirei-me de reações que tive. Como fui intolerante com coisas bobas e tão tolerante com outras mais sérias. Como é possível que em cinco ou seis anos, uma cabeça dê tantas voltas como deu a minha, sobretudo nestes últimos trezentos dias? Eu desenvolvi padrões mais sólidos sobre o que é certo e errado, mas só dentro da minha cabeça, a minha opinião. Quanto às outras pessoas, deixei de enxergá-las como o que eu esperava delas, e passei a vê-las como os seres humanos que são (how scary!): com defeitos, virtudes e cacos emendados, do jeito de todos nós. Sobretudo, procurei ver minhas próprias emendas. É difícil ver que o outro é o você que percorreu outro caminho. Se você tivesse vivido o papel dele na vida, que atitudes teria? Parou e pensou: ninguém é super-hero. Desejo a você força para manter as convicções e atitudes que entende dignas, porque nada melhor que deitar a cabeça no travesseiro e se sentir fiel a Deus, a si, aos amigos, mesmo que doa. Mas desejo-lhe também muita compreensão para quando as pessoas ao seu redor forem fracas, porque outro dia pode ser você (tudo bem, a gente deixa em segredo que você também erra). Que você as veja como gente, hoje, ou daqui a cinco anos, e que saiba perdoá-las, deixá-las ir. Quem não perdoa se tranca em uma cela, com a impressão verossimilhante de que está prendendo o outro, que, por sua vez, segue a vida. Faz sentido abrir a mente.
quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012
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